Quinta-feira, Maio 17, 2012

Rio+20: presença e testemunho anglicanos

Queridos e Queridas

Estamos nos aproximando do grande evento que o Brasil vai sediar em junho, no Rio de Janeiro, no que será a Conferência da ONU sobre Clima, também conhecida por Rio+20.
Há uma grande mobilização de toda a Comunhão Anglicana e de outras Igrejas e religiões para manifestar, durante a Conferência, nossas preocupações com o modelo destrutivo e excludente de economia que os governos e as grandes corporações tem imposto ao mundo.
Nossa Provincia Anglicana será a hospedeira de um evento que pode marcar um ponto diferenciador nos rumos que se quer adotar para que o respeito à natureza e a superação de uma economia que privilegia poucos finalmente seja assumida pelos poderosos deste mundo.
Nossa Igreja tem entre suas marcas de Missão um claro compromisso de cuidar da natureza como criação de Deus. Nossa diocese tem definido que esta é uma prioridade para a nosso testemunho no mundo. 
Neste espírito, quero convocar nossa diocese, através do clero e de suas lideranças leigas e se somar ao grande movimento que estará acontecendo no Rio, em junho, através da intercessão, do estudo e de ações concretas educativas para afirmar que uma das formas de revelar nosso amor a Deus e ao nosso próximo é cuidar do meio ambiente!
Nosso Primaz, D. Mauricio Andrade, convoca toda a Provincia a adotar o Domingo 03 de junho como um momento especial de celebração e intercessões pela Conferência da ONU. Em todas as Provincias Anglicanas este domingo será dedicado ao tema do cuidado com a Criação.
Sejamos criativos!
Sejamos comprometidos!
Orem também por seu bispo que estará na Conferência representando nossa Igreja e a ACT Alliance. Estarei ali presente, participando das manifestações de defesa de um modelo econômico justo e sustentável. Estarei ao lado de  lideres religiosos de vários matizes. Estarei ao lado de muitas organizações não governamentais que realizarão diversas ações para chamar a atenção de nossos governantes para o grave problema de um modleo econômico egoísta e excludente!
Com meu abraço e minhas orações,

+Francisco

Quarta-feira, Maio 16, 2012

Pior que a corrupção é a falta de vontade da sociedade para evitá-la

Assisti ontem um rico debate entre juristas no programa Conversas Cruzadas da TV Com. Foi interessante observar as sinuosas fronteiras entre o jurídico e o político na questão que envolve a CPMI de Carlinhos Cachoeira.  A tese que estava em discussão foi a decisão do ministro Celso de Mello conferindo ao Cachoeira a faculdade de não depor antes de conhecer os conteúdos das acusações contra si que constam do inquérito da PF.
Embora considere técnicamente correta a decisão do ministro, percebi que muitas vezes a técnica processual está completamente desligada da realidade política e isso gera um conflito entre o que poderiamos chamar de processo político e processo jurídico. Não há dúvida de que o alcance desta CPMI pode ser da maior envergadura para a sociedade brasileira . Pela natureza das conexões entre Cachoeira e uma ramificação que envolve praticamente funcionários e políticos na esfera dos três poderes da República. E vai além, expondo perigosas e preocupantes relações entre a contravenção e a imprensa assim como com o setor empresarial. Esta radiografia de como a corrupção constrói seus tentáculos é uma oportunidade para entender este fenômeno que está a séculos instalado no DNA de nosso Estado, desde Pero Vaz de Caminha.
Ou seja, esta seria uma ocasião impar para a sociedade brasileira conhecer, identificar e encontrar de vez caminhos que regulem de maneira mais racional as relações entre o que é público e o que é privado. Entre a legalidade e a ética da administração pública e o crime.
No entanto, há um dado que me preocupa tristemente: a pesquisa de opinião feita durante o programa apontou que 93% das pessoas que responderam a pesquisa não acreditam que a CPMI vá dar resultados concretos para o que foi convocada.
Lamentável ver que a sociedade brasileira não acredita nos próprios instrumentos de investigação e de combate à corrupção desenfreada que se ramifica de forma cancerígena na estrutura do Estado brasileiro. É claro que isso se deve à qualidade de muitos dos nossos políticos. Mas me preocupa o fato de que a sociedade está, por assim dizer, desacreditando na possibilidade de mudança efetiva.
Isso é pior do que a corrupção em si mesma. Ou a sociedade brasileira se revolta contra a cultura do "deixar estar que não vai resolver nada" ou o futuro de nosso país estará inequivocamente destinado a ser desastroso. Um futuro onde os membros de nossas instituições republicanas viverão um "faz-de-conta" vergonhoso e a sociedade estará entregue à uma lei de sobrevivência altamente desigual e onde sobreviverão apenas os espertos!
É hora de nosso povo reagir contra este estado de coisas. É preciso acreditar em mudança! E mais que isso: é preciso contribuir efetivamente para que ela aconteça!

Domingo, Maio 13, 2012

"Amãear"



Entre as diversas formas de expressão de amor, certamente aquela que é expressa pelas mães não se pode traduzir em palavras.
Só tem uma explicação: a não explicação! Um vínculo afetivo inquebrantável que se assemelha ao próprio amor de Deus por nós. Tanto é que Ele mesmo, na palavra dos escritores bíblicos compara o seu amor ao de uma mãe que reúne seus filhos como a galinha aninha seus pintinhos debaixo das asas quando o perigo se aproxima. Daí a conhecida expressão do salmista que afirma que deseja se ocultar debaixo das asas de Deus.
As mães são capazes de esforços incalculáveis pela vida de seus filhos. Nesta medida, elas são o retrato de Deus para todos nós!
Neste domingo vamos aprender que o verbo amar deveria se conjugar "amãear" porque o amor delas não tem fronteiras.
Dedico estas simples palavras a todas as mães - as que se foram chamadas para os céus, as que perpetuam esse amor no presente e todas aquelas que receberão esta graça especial - pedindo a Deus que as fortaleça e as abençôe com toda sorte de bençãos.
Hoje, eu e Talita tivemos a graça de assistir o nascimento de Arthur (filho de Vanessa, prima de Talita) e agradecemos a Deus pelo dom da maternidade.
Envio esta singela homenagem a todas as mães de nossa querida diocese. Que guardemos a memória de todas que "amãearam" e nos doaram tudo que tinham. Que abençoemos todas as que estão "amãendo" no presente!
Que nosso querido Deus, Pai e Mãe de todos nós nos mova a dar a elas o reconhecimento de sua missão. Na qualidade de filhos e filhas dessa valorosas mulheres, possamos oferecer o nosso carinho e reverência a esses verdadeiros "retratos"de Deus!
Com meu abraço,
+Francisco

Sexta-feira, Abril 06, 2012

Easter Message

Mary Magdalene went to the disciples with the news: “I have seen the Lord!” And she told them that he had said these things to her. (John 20:18)

Dear brothers and sisters!
The experience of Mary Magdalene translates the deepest desire of disciples of Jesus after the terrific facts that they experienced in the days leading up to Easter. The broken hearts, hope almost destroyed, dreams almost undone by the inhumanely way in which religious and political leaders treated Jesus of Nazareth.
Jesus represented for them the hope for a different world, realization of God's Kingdom. But when everything seemed lost in the eyes of logic, God manifests his power, reaffirming the power of life and freeing from the grave who lay among the dead .
How many of us in the struggle of life, we do not feel like the disciples on Friday and Holy Saturday ? How many of us do not claim - as the Lord Himself on the Cross - God has abandoned us to defend for
ourselves?
Or how many times we are tempted to accept the premise that it is impossible to fight against unjust structures? In this Easter we are challenged to identify ourselves with every moment of the passion of our Lord. Because the Passion of him is our own. As the Prophet said: Truly he took our infirmities, and
our sorrows on his shoulders(Is 53: 4)
But thanks be to God that the History of Salvation overcomes the power of death and makes new all things. That's why the voice of the Risen speaks to us saying : Do not fear, I am!
May in this Easter, our diocese renew our  faith and hope that the Lord is with us , that the tomb does not have definitively the last word.
May we celebrate Easter as a new moment that erases our sorrows. May the Risen lead us to a new birth and an strengthener testimony. Let's say like Mary Magdalene to the hopeless , I saw the Lord ! A blessed Passover of the Lord !

+Francisco de Assis da Silva
Southwestern Brazil

Segunda-feira, Abril 02, 2012

Mensagem de Páscoa


Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: “Eu vi o Senhor!” E contou o que ele lhe dissera. Jo 20:18 


Queridos irmãos e queridas irmãs! A experiência de Maria Madalena traduz o mais profundo desejo dos discípulos e discípulas de Jesus após os tremendos fatos que haviam experimentado nos dias que antecederam a Páscoa. Os corações partidos, a esperança quase destruída, os sonhos quase desfeitos pela forma cruel com que o sistema religioso e político calou aquele que para eles era a esperança de um mundo diferente, concretização do Reino de Deus. Mas quando tudo parecia perdido aos olhos da lógica humana, Deus manifesta o seu poder, reafirmando o poder da vida e livrando do túmulo aquele que jazia entre os mortos. Quantos de nós, nos embates da vida, não nos sentimos como os discípulos na sexta e sábado santos? Quantos de nós não afirmamos - como o próprio Senhor na Cruz - que Deus nos abandonou à própria sorte? Ou então quantas vezes não somos tentados a aceitar a premissa de que é impossível lutar contra o sistema? Nesta Páscoa somos desafiados e viver cada momento da Paixão de Nosso Senhor. Porque a Paixão dele é a nossa própria. Como disse bem o profeta: Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.(Is 53:4) Mas graças a Deus que a História da Salvação supera a própria morte e faz tudo se tornar novo. Por isso que a voz do Ressurreto se dirige a nós dizendo: não temas, sou eu!. Que nesta Páscoa, nossa diocese renove a fé e a esperança de que o Senhor está conosco, que o túmulo não o encerrou definitivamente. Que possamos celebrar a Páscoa como um novo momento que apaga nossas tristezas e faz nascer de novo a força do testemunho. Vamos dizer como Madalena aos desesperançados: Eu vi o Senhor! Uma abençoada Páscoa do Senhor! 

Do vosso Bispo, 
 +Francisco

Quarta-feira, Março 28, 2012

Senador Demóstenes: capturado pela própria sombra!

Se Carl Jung fosse vivo, certamente estaria se deleitando com mais uma evidência de seus estudos psicanalíticos. Explico: suas formulações sobre luz e sombra na construção das personalidades demonstram como certas pessoas que não experimentam um adequado processo de auto-consciência podem ser destruidas pela sua própria sombra. O senador Demóstenes Torres é um desses personagens que sucumbiu à sua própria sombra. Considerado um dos mais vibrantes oradores contra a corrupção no Senado, catando agulhas no palheiro - em defesa da moralidade pública - e criminalizando movimentos sociais, Demóstenes alçou o posto de representante máximo da direita moralista (aqui distinguo moralista de moral) sempre sob flashes da mídia para aqual exibia sempre um rosto incompassivo e incorruptível. Coitado do senador. A sombra se revoltou contra ele e resolveu destruí-lo: foi pego com a mão na botija, comprometido com um conhecido meliante do mundo do jogo, da violência e da corrupção. Voltando a Jung, eu diria que a sombra de Demóstenes cansou de ouvir ele destruí-la verbalmente e racionalmente. Embora parte dele - e todos nós, lembrem-se, temos nossas sombras - ele nunca dialogou com ela. Quando a sombra é rejeitada sem nenhum processo de diálogo ou mesmo aceitação dela como limite de nossa própria personalidade, ela costuma agir e destruir seus senhores. Isso tem acontecido ao longo da história com personalidades - geralmente públicas - que assumem uma máscara (no sentido psicanalítico do termo) associada somente ao bem ou à uma rígida moralidade. Grandes nomes da Religião, da Política, das Finanças, entre outros famosos e famosas, tem sido traídos quando menos esperam pelas próprias sombras que tanto rejeitam no nível da racionalidade discursiva. Moralistas costumam sofrer mais fortemente a destruição de seus perfis públicos por parte de suas sombras revoltadas pela não aceitação delas em sua psiquê. O senador agora deve estar experimentando vergonha e isso vai lhe custar a saúde emocional - embora ainda continue resistindo bravamente a admitir que o seu segredo foi revelado. Não poderá mais elevar a sua voz como fazia antigamente. Foi traído por sua própria sombra que cansou de não ser reconhecida. Fica a lição para as pessoas que constróem suas imagens (artística, política, religiosa, etc) em cima de discursos que eu chamaria de totalitários: irreprováveis, ilibados, perfeitos, moralistas,... A empafia discursiva que rejeita a convivência entre luz e sombra dentro de nossa psiquê pode nos levar a tombos vergonhosos. Fica a lição senador Demóstenes. Uma pausa para a sua própria reflexão!

Segunda-feira, Março 19, 2012

Até quando rirão de nossa cara?

É impressionante como a sociedade brasileira está precisando de um choque de realidade diante da avassaladora institucionalização da corrupção. Me recordo que quando fiz parte do Conselho de Transparência e combate à Corrupção, ligado à CGU - Controladoria Geral da União - ali representava a ABONG (Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais) - um dos pontos mais cruciais de nosso trabalho era a elaboração de políticas que buscassem reduzir ao máximo desejável os desvios de recursos públicos. À época, ficávamos impressionados com o número de casos de prestações de contas suspeitas de prefeituras e de estados no manejo dos recursos oriundos de repasses federais. O trabalho da CGU em muito tem contribuído para expor as fragilidades de controles racionais e a prova disso é que o número de casos denunciados aos órgãos judiciais aumentou sensivelmente na última década. Evidente que falta a outra ponta do processo, exatamente aquela que responsabiliza e pune efetivamente os agentes públicos, que ainda está envolta em meandros processuais tortuosos, protelatórios e de poucos efetivos resultados. Diante disso, corruptores de um lado e corruptíveis de outro dançam em perfeita harmonia uma macabra música que lesa a cidadania brasileira e empobrece ainda mais os mais pobres e subtrai a dignidade de milhões de brasileiros. As cenas de sarcasmo que assistimos no último domingo enojam qualquer um. Sanguessugas imorais - engravatados ou não - e uma piriguete (ao melhor estilo) desfilaram acintosamente seu desdém pela racionalidade e moralidade das instituições brasileiras. Usaram expressões como "ética", "lei", "normalidade", entre outros institutos com uma frieza inconcebível de quem está totalmente desprovido de qualquer sensibilidade cidadã. Como disse uma autoridade do governo, o que se viu ali, considerando que tratava-se de contratos negociados na esfera da saúde, representa simplesmente o custo de vidas humanas que dependem da saúde no Brasil. Dinheiro que poderia representar mais leitos, melhores serviços, mais profissionais, enfim, uma saúde de melhor qualidade num país onde as pessoas que precisam do sistema único de saúde engrossam filas e morrem literalmente no chão de nossos hospitais. O que vimos é apenas uma pequena amostra do que acontece diariamente nos processos de licitação para compra de serviços entre hospitais e fornecedores. Está na hora da sociedade brasileira dar um inequívoco basta a esta prática criminosa. As leis e sua aplicação precisam eliminar de vez a cultura de impunidade que impera neste país. Desvio de recursos públicos não pode ficar mais restrito apenas ao campo dos crimes contra o patrimônio público ou equivalentes contra o sistema financeiro. Não podem ter penas leves e nem fiança. Devem se equivaler ao nível dos crimes hediondos. Somente a sociedade organizada pode enfrentar o crime organizado. O povo brasileiro não pode continuar assistindo a esse descalabro. Assim como foi capaz de iniciativa legislativa para criar a Ficha Limpa, pode ser capaz de criar a lei da Tolerância Zero contra a corrupção. Não podemos ser tolerantes para com aqueles que se apropriam do suado imposto que pagamos honestamente.